Um certo cantor baiano ajudou a popularizar entre nós a seguinte frase: "navegar é preciso, viver não é preciso". Antes dele, o poeta português Fernando Pessoa imprimiria a frase em seu poema "Navegar é preciso", de 1914. Até aí tudo bem, pois imagino que muitos já tenham ouvido a música e tomado conhecimento da poesia. O que poucos sabem, imagino eu, é que a frase é bem mais antiga.
Cerca de 70 a.C., Pompeu, general romano, foi enviado à Sicília com o objetivo de escoltar uma frota para Roma via mar. Antes da saída alguém previu uma tempestade, os marinheiros amedrontados se recusavam a seguir viagem quando o general disse aos seus homens: "Navigare necesse, vivere non est necesse".
Fiquei pensando na atualidade da frase. Mesmo tanto tempo depois, a asserção de Pompeu parece atualíssima, até mesmo em tempos de internet. Explico: dia desses instalei no blog um desses contadores de visitas que localizam numa espécie de globo de onde vêm os acessos. Daí que fiquei visualizando alguns poucos desses pontinhos que brilhavam no globo vindo de lugares diferentes. Por um tempo fiquei pensando nesses navegantes silenciosos que, ao contrário dos navegantes de Pompeu, se lançam a cruzar o cyberespaço a procura de algo. Fiquei pensando quem seriam estes aventureiros e por quais caminhos chegaram até aqui. Tentei imaginar o que pensavam ao aportar e lançar âncora aqui, mesmo que por alguns minutos. Se voltariam outras vezes ou não...
Por fim pensei: Pompeu estava certo! Navegar é preciso, pois posso precisar de onde vêm os navegantes. Mas viver não é preciso, não posso precisar a vida, os hábitos, a morte, enfim, a subjetividade desses navegantes silenciosos.
2 horas atrás

